1 de agosto de 2007

PVC - Quem Ganha é Você

Finalmente um Partido em que vale a pena votar, mesmo em época de férias!
Defende, de maneira quase siamesa, para o Brasil, as mesmissimas coisas que eu aprego-o para Portugal. Até nos correctivos concordamos... sómente, o nome do partido teria que ser mudado em Portugal, não fossem os potenciais militantes pensar que se trata de um lobbie do Policloreto de Vinila (PolyVinyl Chloride) ou de outras matérias plásticas. Que tal PCB, Partido da Chibatada na Bunda? PCB! PCB! PCB!... A Bunda continúa! A sério. Vale a pena ler. E entender.

15 de julho de 2007

Imbecilismo ou Iberismo?

A propósito da sugestão do nosso laureado, José Saramago:
A ideia não é tão disparatada assim, da maneira que isto está, tanto faz ser governado por Portugueses "bastardos" que pôem os interesses próprios ou os de 3ºs à frente dos do país, como por Bruxelas ou Madrid, com "autonomia" parlamentar, cultural e linguística... a ideia nem é nova e já foi tentada várias vezes, desde a Idade Média ao Séc. XX... Se ofende os "brios" lusos, mostrem mais brio em prol do desenvolvimento do país e dos valores nacionais... ou foi para "isto" que os nossos antepassados tanto lutaram?
Afinal de contas, já damos nomes estrangeiros a carros e passamos por espanhóis lá fora, sem termos as regalíias sociais, o IVA mais baixo e o combustível mais barato, que apenas os extremenhos Portugueses gozam...
Naturalmente faz pouco sentido, ao fim de práticamente 900 anos, irmos agora formar uma união contra-natura, motivada essencialmente por desânimo e frustação com o rumo de Portugal, e oferecermo-nos de mão estendida ao nosso maior rival histórico, em estado subserviente - e esse é o grande pecado da útopia de Saramago, que ninguém lhe perdoa. Pode até ser um visionário, um profeta e até não errar muito quando vaticina uma "comunidade ibérica", mas nunca nos termos que referiu - como uma "autonomia" dependente do poder centralizador de Madrid... já agora, porque não uma união Ibérica com sede em Portugal e autonomias espanholas?

14 de julho de 2007

É um Carro Português Com Certeza

A excitação inicial desta conquista do engenho e indústria nacional, depressa deu lugar ao embaraço.

Haverá sempre quem torce o nariz ao que vem de Portugal, por isso se não formos nós primeiro a valorizar o que é nosso, de que adianta tentar disfarçar o produto, com "rótulos estrangeiros"?

Se queriam um nome mais internacional, podiam ter optado por "Gama" por exemplo; também tem um "DA" antes e é igualmente famoso internacionalmente... Tem a vantagem particular de ser nome Português, assim como o carro pretende ser - e assumido assim frontalmente, talvez o motor tivesse arrancado, durante a apresentação...

Ao menos escolheram como patrono, o maior génio da Renascença e possivelmente de sempre...

10 de julho de 2007

Amor À Camisola

Este ano de 2007 tem sido bastante aziago para as Selecções nacionais de desportos coolectivos. Eliminados prematuramente em Futebol no Euro Sub-21 e em Hóquei - uma das poucas especialidades em que, efectivamente, custumamos competir para vencer; em vias de, novamente em Futebol, mas no corrente Sub-20, e por fim, uma derrota em casa, na final da Liga Europeia de Voleibol (ok, menos mal que chegámos à final numa modalidade em que nunca fomos figuras de topo, literalmente)...
Este é o quadro de resultados até ao momento, meio ano corrido. Apesar de em termos de competição se poder argumentar que os nossos atletas podem ter marcado pontos, quanto a resultados, são deveras decepcionantes e mediocres...
Ganhar pode não ser tudo, sempre; mas de vez em quando, não fazia mal nenhum.
Acho mesmo que o que falta a Portugal para ser mais bem sucedido desportivamente, é ganhar mais vezes, para desenvolver um "espírito ou mentalidade ganhadora" e mais alguma auto-estima. Isso teria efeito mesmo noutros campos de actividade e reflectir-se-ia doméstica e internacionalmente.
Não haver estima ou memória dos grandes feitos do passado, é a meu ver, um dos mais nefastos traços do Português moderno. Os Portugueses são, no geral, inimigos de si próprios; dividindo-se, combatendo-se, menospresando-se, sabotando-se uns aos outros, sem olharem além da sua barriguinha...
De regresso ao desporto, ainda que ganhem - muito esporádicamente - alguns troféus ou titulos de monta, isso só vem "estragar" os atletas, que logo a seguir, já se achando imbativeis, caiem num turpor de esforço mínimo e fraca atitude, mais se preocupando com penteados e outras ménages do que em decorar o país e eles próprios com mais titulos ou prestígio...
Por tudo isto, e apesar do lado negro do "Special One", venham mais Mourinhos, que mais são precisos...

Ps - Infelizmente a Selecção de Sub-20 não leu este post, senão poderiam ter evitado dar-me razão, e principalmente, aquela participação triste a todos os níveis...

29 de junho de 2007

E A Ocidente Nada de Novo...

Mais uma demonstração de falta de cojones dos políticos cá da praça, e da sua prostração subserviente aos interesses de terceiros.
Tudo fica na mesma - a aprovação desta lei de restrição do tabaco nos locais públicos e de trabalho é uma farça, com uma aprovação envergonhada após um recuo considerável à lei proposta inicialmente. Exepto para os locais de trabalho, onde aparentemente, a lei deverá funcionar, de resto nada mudará, porque os comerciantes muito menos terão cojones para implementar a restrição tabágica, por sua própria iniciativa.
Mais uma oportunidade histórica que se esfuma...

23 de junho de 2007

Marque Asterisco para Nada

Call-Centers foram a pior invenção, desde a guilhotina e os impostos. Não só fomentam o trabalho precário, como do ponto de vista da sua utilidade para os clientes, apenas torna mais complicada e burocrática a resolução dos problemas. Antes dos CC se tornarem uma praga, viamos pessoalmente o funcionário, quando não o responsável, directamente, a quem expunhamos a questão e não o largávamos enquanto não deixasse tudo preto no branco.

Nos CC, é improvável ter-se uma resposta única há mesma questão, se falarmos com mais do que um operador; além de que raramente nos calha um que seja competente e nos resolva o "problema" (nos CC diz-se "situação" - a palavra começado por "p" é tabu...) à primeira.

Quantas vezes não é necessário repetir os contactos e chatearmo-nos a sério para conseguir despachar banalidades que se resolveriam na hora, se tivessemos frente-a-frente com aquele adolescente borbulhento que responde nervosamente do outro lado da linha, ou com aquela jovem calejada que regurgita o guião de cor, surdamente, como um farol de noveiro, ainda que inadequado ao que pretendemos?...
Já para não falar do tempo de espera em linha e do respectivo custo por cada chamada... que parece mesmo ser a única justificação para a existência e proliferação destes ninhos burocráticos.

Em vez de inúteis e problemáticos, vocacionados para o "handling" de relamações, estes funcionários poderiam ser mais úteis gestores de serviço ao cliente, controlando e evitando as "situações" antes delas acontecerem, em vez de esperar pelas reclamações...

Só é pena que não haja uma tecla no telefone para marcar a opção "ide %@# mais os telefones"...
A minha esperança é que da mesma forma como apreceram e se multiplicaram como cogumelos, os CC também tenham curta vida, como os fungos análogos...

18 de junho de 2007

Indignação, Inconformismo e Ibéria

Para que não restem dúvidas, já fui apelidado de "comunista" e "reaccionário", no mesmo minuto do mesmo dia, aos vinte e poucos anos, no princípio da década passada. Confesso que na altura, dentro de uma viatura com 2 desconhecidos, algures em Espanha, fiquei meio perplexo com o energúmeno que vociferou tão imbecil anátema – eu desconhecia por completo o significado de "reaccionário"; e pelos vistos, o imbecil também.

Das muitas coisas ridículas e hediondas que registei, infelizmente, durante a minha vida, esta há-de sempre recordar-me que opinar com independência sobre o que, a nosso ver, está mal e poderia ser mudado, aflige quase sempre os mais velhos, os menos esclarecidos e os mais instalados. E o pior, é que nem falava, nem falei, de algo remotamente perceptivel como política, durante toda viagem…

Era já, no entanto, o meu “direito à indignação” e a falar livremente, com toda a sinceridade da juventude não-filiada. Agora, na meia-idade, continuo a expressar a minha indignação e inconformismo, apelando a outros que se manifestem também.

Portugal é dos países (dos 8) que eu conheço, onde as pessoas são menos espontâneas. Desde cedo, as crianças são constrangidas a prestar atenção ao que dizem e expostas ao ridículo por arriscarem serem autênticas. Pelo menos foram, nas gerações logo pós-abril, o que até fazia algum sentido, ou talvez não; mas receio que ainda se note muito, por aí…

Bem, isto tudo para chamar a atenção para o factor mais preponderante de tudo o que disse aqui, sendo que a palavra-chave é: Espanha. Sim, a nuestra vicina, que ultimamente nos serve de comparação para tudo, com evidente prejuízo próprio.

Eu ainda sou dos que continuo a acreditar nas vantagens de ser Português (o que é diferente de continuar a desejar trabalhar e viver em Portugal…), mas admito que poderíamos beneficiar imenso, no estado actual, se em vez deste país deprimente, fossemos (oficialmente) a região autónoma de Espanha mais pobre – mais uma vez, a palavra-chave é Espanha…

Antes de me começarem a chamar nomes piores que “comuna-reaccionário”, quero ressalvar que há muita coisa melhor em Portugal do que em Espanha – o peixe, o vinho, as cebolas, os filmes com legendas, etc. etc. - e especialmente não haver necessidade de ter aqueles pontos de interrogação e exclamação ridículos, de pernas para o ar no inicio das frases… ¿comprende?

7 de junho de 2007

Verdade Políptica

Infelizmente já tive que colocar vários posts sobre os tristres exemplos que os políticos nacionais dão. Porém, para ser justo, tenho que rectificar: políticos nacionais e Internacionais! Desde há já algum tempo que reparei que o nível tem vindo a degradar-se.
Pensei que o desrespeito pelos eleitores (e os não-eleitores) e pelos valores mais exigíveis ao cargo, como a integridade, a decência e a consciência de servir, não mais seriam a moeda de troca de quem foi, mais ou menos democráticamente, confiado com o poder...
Mas não. Em vez de "delegados do povo" temos pequenos e inchados "monarcas" que usam e abusam e dispõem, em nome "do povo"... mas são os seus interesses e os de terceiros, que verdadeiramente servem.
Rússia, Venezuela, E.U.A, etc. e até o "quasi-bem-intencionado" Blair mentem, ou pior - nem precisam esconder os seus propósitos imorais - e manipulam os seus concidadãos como gado, que só deve encarreirar segundo as suas ordens e desígnios...

Voltando a Portugal, já houve um tempo em que existiu realmente um desígnio nacional e uma condução mais desinteressada dos Portugueses para o bem comum...
Curiosamente, era uma época de classes e de menor conciência de direitos cívicos...
Pensando melhor, qual era mesmo a diferença?...

Ps - O mais famoso (e com razão) políptico da nossa pintura - erradamente chamado de S. Vicente, surge aqui algo diferente da versão corrente, mas a explicação para isso e para outras singularidades está aqui. Recomendo vivamente uma visita, não só pelo trabalho admirável realizado pelo autor da investigação, mas por também servir para compreender melhor a obra e a própria história.

16 de maio de 2007

"Who Let the Dogs Out"?

Nas últimas semanas, tal como nos últimos anos do futebol, Portugal e Inglaterra têm discutido entre si, abordagens diferentes. Em destaque, está ainda, infelizmente, o desaparecimento da pequena Madeleine McCann. E mais recentemente, senão recorrentemente, José Mourinho desavindo com os Ingleses...

MADELEINE
McCANN - Desaparecida/Missing 3/05, Praia da Luz, Portugal

Em relação ao primeiro caso, que perfaz neste dia 2 semanas desde o desaparecimento, já tive oportunidade de enfrentar a sobranceria britânica a propósito das críticas exageradas que lançaram sobre as autoridades Portuguesas - como todos tivemos ocasião de ver, a atenção e os recursos colocados ao serviço deste caso, são incomparáveis com outras situações que ocorreram no passado.

No entanto, isso não quer dizer que não se poderia ter feito as coisas de outra maneira (tal como os pais, que poderiam ter deixado as crianças com babysitting...); há também alguma razão nas críticas ao mutismo das autoridades em geral, que nem sempre faz sentido. O Segredo de Justiça deve ser como um medicamento - prescrito apenas quando absolutamente necessário, e em quantidades moderadas...
Por outro lado, e na minha opinião, após 15 dias de apelos e quasi-histeria mediática (a imprensa
Portuguesa também não tem estado sempre bem), partindo do princípio que Madeleine foi raptada com maus intuitos (não apenas para "adopção"), penso que todo este "ruído" é mais perigoso para a criança do que útil... mas talvez seja a única maneira que os pais têm de lidar com a situação.

Seja como for, mais uma vez a imprensa Inglesa mostrou que é um autêntico "Bulldog
Britânico", no seu apetite voraz por sensacionalismo misturado com sentimentalismo patriótico, procurando cruelmente "bodes-espiatórios" quando as coisas correm mal para eles, como aconteceu depois do Euro2004, Alemanha 2006 e agora no Algarve 2007...

Por falar em animais, diga-se ainda que os Ingleses têm um adversário à altura, um osso duro de roer, na figura do treinador do Chelsea, "our very own" José Mourinho e o seu Britânico cachorro Yorkshire Terrier... podem levar o homem, mas não levam o cão da família! E ainda dizem que os Portugueses abandonam os animais sem piedade... cada vez gosto mais do Mourinho – um dos poucos Portugueses que não é subserviente face a estrangeiros.

28 de abril de 2007

Ciência ao Poder

Ainda que custe a muita gente reconhece-lo, por lhes custar o emprego e as mordomias que têm, existem várias profissões na sociedade humana que só são necessárias àqueles que as exploram. A sua função primordial é manter a complexidade artificial das sociedades ocidentais.
A razão da sua criação pode até ter sido legítima e imprescindível, no passado bárbaro; mas hoje, na era da informatação (informática + informação), são anacronismos que se perpetuam por ilusão e por tradição - e porque somos todos educados a aceitar esses lastros inúteis, desde cedo. Curiosamente, estes profissionais do nada, ao contrário do que seria de esperar, são dos que mais condições de trabalho têm, dos que mais ganham e os de maior status, em contradição com o resto dos cidadãos que realmente se esforçam e que raramente vêem o seu mérito ser reconhecido.
"Falo-vos" pois dos mais inúteis dos burocratas, os políticos. Outrora, anciãos que se ocupavam dos assuntos públicos nas horas vagas, ou mais tarde os poucos escolásticos e literatos que existiam nas redondezas iam dirigindo ou ajudando a gerir a res pública; hoje, engenheiros com diploma ou não, advogados, arquitectos ou electricistas com busca-pólos, não têm mais habilitações nem são mais qualificados que outros doutorados, licenciados ou técnicos de 2ª classe fora da sua área.
Estes profissionais da política, quando no poder, além de trazerem outros como eles, sem necessidade de CV ou entrevista, também subalugam cargos a outros - estes sim, chamados especialistas, formados e treinados nas áreas para que são nomeados, vão realmente fazer o trabalho; os primeiros limitam-se a "gerir", ainda que sejam tão gestores como qualquer um de nós, ou menos...
Pelo menos podiam ser honestos; e já que lá estão, por beneplácido dos muitos que ainda "delegam", inconscientemente, responsabilidades em pessoas não-preparadas,
não-especializadas e não-competentes, na maioria dos casos, podiam perfeitamente ter algum zelo, brio e consideração pelo país, já que pela população mostram ter poucos escrúpulos. A haver alguém a conduzir os destinos de um país, que sejam ao menos os cientistas, que estão habituados a seguir um método, a comparar resultados e a discutir com fórmulas matemáticas.
Quanto aos políticos e às ideologias, podem aprender com o exemplo de Al Gore: tornem-se úteis, ajudem a ciência. Entre políticos corruptos e militaristas e cientistas loucos, voto nos últimos... ao fim e ao cabo, os homens da scientia procuram a verdade, seja ela qual for, enquanto os políticos, sejam eles quais forem, raramente são verdadeiros...